Esse é meu espaço.
É aqui que declaro como me sinto.
Sei que é semelhante a um diário...só não o uso constantemente.
Me sinto como se, há algumas semanas toda minha existência tivesse mudado radicalmente e muitos dos meus temores começassem a surgir e se impor a mim de um modo que não sei como vencer.
Doenças, remorsos, indelicadezas, juízos equivocados, desapontamentos, decepções.
Ações tomadas das quais arrependo-me mas que tenho chances mínimas de mudar.
A ação de calar-me parece-me mais sensata e, escrever, a mais indicada a quem tem um turbilhão de pensamntos me tomando.
Hoje não me sinto bem comigo mesma.
Sinto-me rude, desprezível, rancorosa.
Penso e elevo meus pensamentos a Deus na esperança de que amanhã eu esteja com a cabeça mais arejada, menos irritada, mais bem disposta e com soluções reais para os problemas ocorridos no plano real.
Agradeço a Deus pois até que meu dia rendeu: faxina na cama, convidados listados [tomara que pela última vez!], convites em andamento, vestido de festa em fase de acabamento.
Tarefas de trabalho bem encaminhadas, trabalho do meu Amor pronto.
Ai...ao vistar meu querto constato: roupas precisam serem arrumadas bem como minhas gavetas, mais convites devem ser preenchidos, aula deve ser preparada...ai...me perco em tarefas de novo.
Irei dormir.
Amanhã será outro dia.
Meu espaço para desabafar,me expressar, conversar comigo mesma com Deus e com quem quiser participar.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Razões Para Intercessões I.
Intercedam Por:
1)Pessoas que sofrem violência doméstica;
2)Pessoas que sofreram violência moral;
3)Pessoas que sofreram violância sexual;
4)Pessoas que praticam algum tipo de violência contra o próximo.
Posso não mudar o mundo mas, pelo menos, vou tentar mudar algo pelo poder da oração.
1)Pessoas que sofrem violência doméstica;
2)Pessoas que sofreram violência moral;
3)Pessoas que sofreram violância sexual;
4)Pessoas que praticam algum tipo de violência contra o próximo.
Posso não mudar o mundo mas, pelo menos, vou tentar mudar algo pelo poder da oração.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O valor do ser humano
"Em última análise, todas as operações de negócios podem ser reduzidas a três palavras: Pessoas, produtos e lucros.
As pessoas estão em primeiro lugar.
Se você não tiver uma boa equipe não poderá fazer grande coisa com o resto". (Lee Iacocca).
Qual o valor de um ser humano?
Sei que, para Deus, ele vale mais que um mundo inteiro. Mas parece que algumas pessoas não pensam muito a respeito pois, se pensassem, reconheceriam mais o outro.
Ouvi numa pregação que não devemos esperar nada dos outros. Também li isso na Bíblia: que quem espera alguma coisa nesta vida será o mais miserável dos homens.
Mas será que tem que ser realmente assim???
Eu penso que não.
Muitas pessoas tem se entristecido por causa da desvalorização.
Esposas sentem-se pouco valorizadas pelos maridos; mães, pelos filhos, filhos, por seus pais; empregados, por seus encarregados e empregadores, colaboradores por seus superiores...
É uma reação em cadeia!
Gente, o ser humano é uma criação de valor incalculável!
Sua esposa cuida de pelo menos 5 refeições diárias prá Você! Serão pelo menos 35 na semana, 1825 no ano! Vai lavar, secar, guardar a louça. Cuidar da manutenção da casa, deixando-a limpinha e agradável prá que passem bons momentos juntos (E terá de varrer prá isso porque nem toda dona-de-casa tem aspirador!). Vai lavar suas roupas, as de cama, mesa e banho também; pô-las prá secar, colhê-las, passar, guardar.
Vai cuidar dos problemas domésticos, das contas que Você não tem tempo de pagar, da lista do supermercado, do trabalho dela.
Se Vocês tiverem filhos...multipliquem o trabalho por 4 (sim, pois estou considerando dois filhos e a ela também, afinal, ela também precisa comer, vestir, andar arrumadinha).
E mais: ela cuidará dos problemas pessoais e escolares da prole, de material escolar entre outras coisas.
À noite, quando Você chegar cansado, ela irá que te ouvir, saber como foi seu dia, se estás bem e tal mas...
Você, em algum momento do seu dia, parou pra reconhecer o talento artístico que ela tem em lidar com tudo isso?
Eu acho que não!
Pois é... muitos relacionamentos acabam por falta de valorização do outro.
Eu mencionei apenas o caso da mulher mas qualquer um pode se sentir assim, desvalorizado.
Quando aprendermos a reconhecer os talentos das pessoas e a elogiá-las, ainda que apenas de vez em quando, faremos as pessoas deixar de se sentirem tão míseras e desmotivadas e elas passarão a fazer tudo novamente, só que agora por amor, por pertencimento, prazer.
As pessoas estão em primeiro lugar.
Se você não tiver uma boa equipe não poderá fazer grande coisa com o resto". (Lee Iacocca).
Qual o valor de um ser humano?
Sei que, para Deus, ele vale mais que um mundo inteiro. Mas parece que algumas pessoas não pensam muito a respeito pois, se pensassem, reconheceriam mais o outro.
Ouvi numa pregação que não devemos esperar nada dos outros. Também li isso na Bíblia: que quem espera alguma coisa nesta vida será o mais miserável dos homens.
Mas será que tem que ser realmente assim???
Eu penso que não.
Muitas pessoas tem se entristecido por causa da desvalorização.
Esposas sentem-se pouco valorizadas pelos maridos; mães, pelos filhos, filhos, por seus pais; empregados, por seus encarregados e empregadores, colaboradores por seus superiores...
É uma reação em cadeia!
Gente, o ser humano é uma criação de valor incalculável!
Sua esposa cuida de pelo menos 5 refeições diárias prá Você! Serão pelo menos 35 na semana, 1825 no ano! Vai lavar, secar, guardar a louça. Cuidar da manutenção da casa, deixando-a limpinha e agradável prá que passem bons momentos juntos (E terá de varrer prá isso porque nem toda dona-de-casa tem aspirador!). Vai lavar suas roupas, as de cama, mesa e banho também; pô-las prá secar, colhê-las, passar, guardar.
Vai cuidar dos problemas domésticos, das contas que Você não tem tempo de pagar, da lista do supermercado, do trabalho dela.
Se Vocês tiverem filhos...multipliquem o trabalho por 4 (sim, pois estou considerando dois filhos e a ela também, afinal, ela também precisa comer, vestir, andar arrumadinha).
E mais: ela cuidará dos problemas pessoais e escolares da prole, de material escolar entre outras coisas.
À noite, quando Você chegar cansado, ela irá que te ouvir, saber como foi seu dia, se estás bem e tal mas...
Você, em algum momento do seu dia, parou pra reconhecer o talento artístico que ela tem em lidar com tudo isso?
Eu acho que não!
Pois é... muitos relacionamentos acabam por falta de valorização do outro.
Eu mencionei apenas o caso da mulher mas qualquer um pode se sentir assim, desvalorizado.
Quando aprendermos a reconhecer os talentos das pessoas e a elogiá-las, ainda que apenas de vez em quando, faremos as pessoas deixar de se sentirem tão míseras e desmotivadas e elas passarão a fazer tudo novamente, só que agora por amor, por pertencimento, prazer.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Por que atormentam as pessoas com o futuro???
Não basta simplesmente aceitarem suas decisões, defeitos, vontade?
Não basta aceitarem que sua vida NÃO TOMOU O RUMO que esperavam?
Não basta permitirem às pessoas viverem suas próprias escolhs e conviverem com elas?
Não basta quererem viver o "Ser" ao invés do "Ter"?
Eu quero ser simples, viver com simplicidade.
Mas sem deixar de ser elegante, claro!
Eu quero ter um bom trabalho, mas não ser rica.
Quero apenas o suficiente que me permita curtir bem a vida.
Eu quero amar e ser amada - e isso sei que sou!
Eu quero aprender a amar quem não me ama e perdoar, ainda que me doa muito.
Quero ser ouvida, levada a sério, realizar meus sonhos mas, se ao invés de me julgarem passarem a orar por mim, torcer por meu sucesso, me apoiarem ou apenas aceitarem minhas escolhas, creio que será mais fácil.
Viver...é...esse é um desafio e tanto!
Então, por que ficar atormentando os outros com uma perspectiva negativista do futuro?
Deixem as pessoas serem felizes...à sua maneira!
Não basta aceitarem que sua vida NÃO TOMOU O RUMO que esperavam?
Não basta permitirem às pessoas viverem suas próprias escolhs e conviverem com elas?
Não basta quererem viver o "Ser" ao invés do "Ter"?
Eu quero ser simples, viver com simplicidade.
Mas sem deixar de ser elegante, claro!
Eu quero ter um bom trabalho, mas não ser rica.
Quero apenas o suficiente que me permita curtir bem a vida.
Eu quero amar e ser amada - e isso sei que sou!
Eu quero aprender a amar quem não me ama e perdoar, ainda que me doa muito.
Quero ser ouvida, levada a sério, realizar meus sonhos mas, se ao invés de me julgarem passarem a orar por mim, torcer por meu sucesso, me apoiarem ou apenas aceitarem minhas escolhas, creio que será mais fácil.
Viver...é...esse é um desafio e tanto!
Então, por que ficar atormentando os outros com uma perspectiva negativista do futuro?
Deixem as pessoas serem felizes...à sua maneira!
sexta-feira, 20 de março de 2009
Como Me Sinto Hoje...
Tenho dezenas de razões para me preocupar.
Tenho dezenas de razões para me sentir triste, solitária, isolada, traída, humilhada mas...
Hoje decidi não viver minha vida baseada nessas emoções.
Já há algum tempo decidi ser atriz no teatro de minha mente e...hoje eu fui bem sucedida.
Me senti feliz com coisas tão simples como ouvir a voz do homem que amo, que há pessoas que realmente se importam umas com as outras; senti-me feliz apenas por degustar calma e tranquilamente o meu jantar - um simples arroz com feijão e hambúrguer.
Senti-me feliz em mostrar um trabalho, em ver pessoas me ajudando a arrumar um trabalho, em ver outras sendo exaltadas por Deus, sendo colocadas para dirigirem trabalhos.
Senti-me feliz em ter sido útil, em ter podido apenas ouvir aos outros e me doar sem esperar o mesmo deles...
Senti-me feliz em me molhar na chuva, em concluir tarefas que há muito estavam em minha mente mas ao mesmo tempo, distantes de serem concluídas.
Sinto-me feliz só por ter tido o dia de hoje em minhas mãos.
Sinto-me feliz em saber que terei ajuda com algumas de minhas aulas.
Sinto-me feliz em ter sido ouvida.
Apenas...me sinto feliz.
Por meus pais, ainda que eles não sejam perfeitos e nem acertem sempre.
Por meus amigos, que precisam de mim tanto quanto preciso deles.
Por meus alunos, com quem estou aprendendo a viver e a ser cada dia mais leve, crítica, pensante.
Por meu Amor, ainda que eu nem sempre consiga expressar a ele o que sinto.
Por meu amado Pai - Deus - que me permitiu sentir tudo isso.
"Obrigada, Pai por tudo que tenho." (Leia-se bem: não ganhei o prêmio da Mega Sena, nem uma mansão, nem um carro).
Eu apenas estou exalando o levíssimo e suave perfume daquilo que tenho recebido em doses abundantes. Estou transpirando...AMOR.
Me sinto feliz só por poder expressar como me sinto.
Tenho dezenas de razões para me sentir triste, solitária, isolada, traída, humilhada mas...
Hoje decidi não viver minha vida baseada nessas emoções.
Já há algum tempo decidi ser atriz no teatro de minha mente e...hoje eu fui bem sucedida.
Me senti feliz com coisas tão simples como ouvir a voz do homem que amo, que há pessoas que realmente se importam umas com as outras; senti-me feliz apenas por degustar calma e tranquilamente o meu jantar - um simples arroz com feijão e hambúrguer.
Senti-me feliz em mostrar um trabalho, em ver pessoas me ajudando a arrumar um trabalho, em ver outras sendo exaltadas por Deus, sendo colocadas para dirigirem trabalhos.
Senti-me feliz em ter sido útil, em ter podido apenas ouvir aos outros e me doar sem esperar o mesmo deles...
Senti-me feliz em me molhar na chuva, em concluir tarefas que há muito estavam em minha mente mas ao mesmo tempo, distantes de serem concluídas.
Sinto-me feliz só por ter tido o dia de hoje em minhas mãos.
Sinto-me feliz em saber que terei ajuda com algumas de minhas aulas.
Sinto-me feliz em ter sido ouvida.
Apenas...me sinto feliz.
Por meus pais, ainda que eles não sejam perfeitos e nem acertem sempre.
Por meus amigos, que precisam de mim tanto quanto preciso deles.
Por meus alunos, com quem estou aprendendo a viver e a ser cada dia mais leve, crítica, pensante.
Por meu Amor, ainda que eu nem sempre consiga expressar a ele o que sinto.
Por meu amado Pai - Deus - que me permitiu sentir tudo isso.
"Obrigada, Pai por tudo que tenho." (Leia-se bem: não ganhei o prêmio da Mega Sena, nem uma mansão, nem um carro).
Eu apenas estou exalando o levíssimo e suave perfume daquilo que tenho recebido em doses abundantes. Estou transpirando...AMOR.
Me sinto feliz só por poder expressar como me sinto.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Gentileza e medo
Todo limite precisa de uma potência, de uma força para ser exercido. Um não fraco, frouxo, sem energia, seja na voz, seja na emoção, não dá resultado. E onde podemos encontrar esse vigor? Vamos voltar lá para o comecinho de nossa existência. Já nos primeiros dias de vida, uma inteligência instintiva se dava conta de que nascemos inteiramente dependentes. Levamos anos e anos sendo alimentados, cuidados e educados até alcançar um pouco de autonomia. Portanto, lá no fundo de nossa mente há uma luz de néon que pisca com os dizeres “sou incapaz de sobreviver sozinho”. “Dependo de alguém, e se perder esse vínculo que me mantém vivo – no caso, minha mãe – posso morrer.” Para continuarmos com esse vínculo, somos capazes de fazer tudo. Inclusive sempre dizer sim e obedecer, se for necessário.
“Manter vínculos é a mais fundamental estratégia de sobrevivência do começo da vida”, diz Denise Passos, terapeuta somática e pesquisadora do Laboratório do Pensamento Formativo, que segue a linha do psicólogo Stanley Keleman. De acordo com essa linha da psicologia (que analisa o poder de várias influências em nossas respostas comportamentais), temos dificuldade em dizer não porque morremos de pavor de perder nossos vínculos e ter nossa sobrevivência ameaçada. É um medo inconsciente e ancestral. Uma criança que tem pais agressivos, por exemplo, e que por temperamento é mais doce, aprende rapidamente que pode ser mais protegida ou aceita quando é boazinha. E ser boazinha e prematuramente madura é uma estratégia eficaz de sobrevivência. “O problema não é ser doce e gentil, o problema é só agir assim, como se não houvesse outra possibilidade diante das situações”, diz Denise.
Um dia crescemos, nos tornamos seres autônomos e não mais tão dependentes dos vínculos. Mas a frase de néon pode continuar a piscar no cérebro: somos fracos, dependentes, e precisamos ceder para sobreviver. Como o patinho feio que virou cisne, não percebemos que nos tornamos fortes e adultos. E que não dependemos tanto dos vínculos, a ponto de aceitar e cultivar até aqueles que podem nos causar muita dor e sofrimento na vida.
A força do treino
Para Stanley Keleman, temos três heranças: a biológica, a genética e a cultural. A biológica revela que o ser humano tem a agressividade dentro de si. A genética dá forma a essa agressividade, que depende do nosso temperamento. Portanto, ela a individualiza: podemos ser mais assertivos, ou mais passivos e obedientes, por natureza. A terceira vertente, social e cultural, vai condicionar mais ainda a maneira de expressá-la. Uma pessoa que diz sim quando queria dizer não vai chegar a um ponto em que seu cérebro emocional (o sistema límbico) e o racional (o córtex cerebral) vão entrar em colapso.Vai responder com fúria, com seu cérebro instintivo (reptiliano) ligado à agressividade.
E como sair dessa?
Treinando pequenos nãos, só para sentir nossa força, em situações menos importantes. E, como numa ginástica, torná-lo forte e resistente. “É preciso um corpo mais tônico, uma emoção mais clara, um raciocínio mais eficaz”, diz Denise. Aprender que crescemos, que não somos mais crianças e que não precisamos nos sentir ameaçados como elas é um bom começo. Perceber que assumir a força, o próprio poder, não significa ser agressivo.
Aventuras e oportunidades
O não pode não ser necessariamente negativo. Já pensou nisso? Na verdade, ele pode se revelar como um portão escancarado para um mundo de aventuras e bem-aventuranças. Ele pode ser, ao contrário, imensamente positivo, pois significa uma recusa ao que é proposto, seja por uma pessoa, seja por uma circunstância, e uma abertura a novas situações. Nas culturas tribais, como a dos índios norteamericanos, o não faz parte do vocabulário de um guerreiro, pois é capaz de expressar, tanto quanto o sim, o que seu coração diz. Segundo o mitólogo Joseph Campbell, nas culturas indígenas os mitos geralmente se apresentam com dois motivos principais: ou a bela moça se recusa a casar com seus pretendentes, dizendo não, não e não a cada um que aparece, ou o guerreiro infringe um limite. Se, por exemplo, a região ao norte é a proibida pela tribo pelos mais variados motivos, sem dúvida é para lá, contrariando tudo e todos, que ele se dirige. Sua aventura começa ao se negar a aceitar o não dos outros.
A cada recusa de pretendentes ou ultrapassagem de um limite, você se coloca num nível mais alto, de perigo maior. A questão é: você está preparado para esse desafio? “A aventura vai ser a recompensa, mas ela é necessariamente perigosa, incluindo possibilidades, tanto positivas quanto negativas, umas e outras fora de controle”, afirma Campbell. Afinal, se você for imprudente demais, pode perder a vida.
Mas há uma grande vantagem nessa escolha. “Estaremos seguindo nosso próprio caminho e não mais o caminho do papai e da mamãe. Com isso estamos sem proteção, num campo de poderes superiores aos que conhecemos”, diz Campbell. É para isso que as histórias e os mitos existem. De certa forma, eles nos preparam para o que há de vir depois da recusa. Isto é, o não abre portas para riscos, mudança, conflitos, aventuras e realidades diferentes. O mestre tibetano Chögyam Trungpa falava desse não visceral como o “BIG NO”, o grande não, aquele que é capaz de transformar vidas e destinos. É por isso, também, que o tememos. Mas a mitologia insiste que o caminho do coração é protegido por forças que não conhecemos, que não é preciso temer demais e que nele desenvolveremos novas habilidades e valores. Uma coisa é certa: depois desse não frontal diante da realidade, nada do que foi será do mesmo do jeito que já foi um dia.
Fizemos uma seleção de dicas a partir de livros que falam sobre a melhor maneira de sustentar uma negação. Aqui estão alguns dos conselhos básicos:
. Ser muito legal pode não ser legal. Experimente ser egoísta de vez em quando.
. Se discordar, discorde logo de cara, no começo da conversa
. O não precisa ter força. Boa alimentação, exercícios vocais e vitalidade auxiliam.
. Se não tiver certeza do seu sim, enrole. Ou peça tempo para pensar.
. Não sorria quando estiver aponto de explodir. Aprenda a fechar a cara.
. Mude de opinião quantas vezes quiser.
. Diga como se sente e não acuse o outro, colocando-o na defensiva.
. Não abra muito espaço para contra-argumentos. Reafirme o seu não.
. A negação precisa ser firme. Mas não precisa ser agressiva
. Imagine sempre que tudo vai dar certo. Costuma funcionar.
“Manter vínculos é a mais fundamental estratégia de sobrevivência do começo da vida”, diz Denise Passos, terapeuta somática e pesquisadora do Laboratório do Pensamento Formativo, que segue a linha do psicólogo Stanley Keleman. De acordo com essa linha da psicologia (que analisa o poder de várias influências em nossas respostas comportamentais), temos dificuldade em dizer não porque morremos de pavor de perder nossos vínculos e ter nossa sobrevivência ameaçada. É um medo inconsciente e ancestral. Uma criança que tem pais agressivos, por exemplo, e que por temperamento é mais doce, aprende rapidamente que pode ser mais protegida ou aceita quando é boazinha. E ser boazinha e prematuramente madura é uma estratégia eficaz de sobrevivência. “O problema não é ser doce e gentil, o problema é só agir assim, como se não houvesse outra possibilidade diante das situações”, diz Denise.
Um dia crescemos, nos tornamos seres autônomos e não mais tão dependentes dos vínculos. Mas a frase de néon pode continuar a piscar no cérebro: somos fracos, dependentes, e precisamos ceder para sobreviver. Como o patinho feio que virou cisne, não percebemos que nos tornamos fortes e adultos. E que não dependemos tanto dos vínculos, a ponto de aceitar e cultivar até aqueles que podem nos causar muita dor e sofrimento na vida.
A força do treino
Para Stanley Keleman, temos três heranças: a biológica, a genética e a cultural. A biológica revela que o ser humano tem a agressividade dentro de si. A genética dá forma a essa agressividade, que depende do nosso temperamento. Portanto, ela a individualiza: podemos ser mais assertivos, ou mais passivos e obedientes, por natureza. A terceira vertente, social e cultural, vai condicionar mais ainda a maneira de expressá-la. Uma pessoa que diz sim quando queria dizer não vai chegar a um ponto em que seu cérebro emocional (o sistema límbico) e o racional (o córtex cerebral) vão entrar em colapso.Vai responder com fúria, com seu cérebro instintivo (reptiliano) ligado à agressividade.
E como sair dessa?
Treinando pequenos nãos, só para sentir nossa força, em situações menos importantes. E, como numa ginástica, torná-lo forte e resistente. “É preciso um corpo mais tônico, uma emoção mais clara, um raciocínio mais eficaz”, diz Denise. Aprender que crescemos, que não somos mais crianças e que não precisamos nos sentir ameaçados como elas é um bom começo. Perceber que assumir a força, o próprio poder, não significa ser agressivo.
Aventuras e oportunidades
O não pode não ser necessariamente negativo. Já pensou nisso? Na verdade, ele pode se revelar como um portão escancarado para um mundo de aventuras e bem-aventuranças. Ele pode ser, ao contrário, imensamente positivo, pois significa uma recusa ao que é proposto, seja por uma pessoa, seja por uma circunstância, e uma abertura a novas situações. Nas culturas tribais, como a dos índios norteamericanos, o não faz parte do vocabulário de um guerreiro, pois é capaz de expressar, tanto quanto o sim, o que seu coração diz. Segundo o mitólogo Joseph Campbell, nas culturas indígenas os mitos geralmente se apresentam com dois motivos principais: ou a bela moça se recusa a casar com seus pretendentes, dizendo não, não e não a cada um que aparece, ou o guerreiro infringe um limite. Se, por exemplo, a região ao norte é a proibida pela tribo pelos mais variados motivos, sem dúvida é para lá, contrariando tudo e todos, que ele se dirige. Sua aventura começa ao se negar a aceitar o não dos outros.
A cada recusa de pretendentes ou ultrapassagem de um limite, você se coloca num nível mais alto, de perigo maior. A questão é: você está preparado para esse desafio? “A aventura vai ser a recompensa, mas ela é necessariamente perigosa, incluindo possibilidades, tanto positivas quanto negativas, umas e outras fora de controle”, afirma Campbell. Afinal, se você for imprudente demais, pode perder a vida.
Mas há uma grande vantagem nessa escolha. “Estaremos seguindo nosso próprio caminho e não mais o caminho do papai e da mamãe. Com isso estamos sem proteção, num campo de poderes superiores aos que conhecemos”, diz Campbell. É para isso que as histórias e os mitos existem. De certa forma, eles nos preparam para o que há de vir depois da recusa. Isto é, o não abre portas para riscos, mudança, conflitos, aventuras e realidades diferentes. O mestre tibetano Chögyam Trungpa falava desse não visceral como o “BIG NO”, o grande não, aquele que é capaz de transformar vidas e destinos. É por isso, também, que o tememos. Mas a mitologia insiste que o caminho do coração é protegido por forças que não conhecemos, que não é preciso temer demais e que nele desenvolveremos novas habilidades e valores. Uma coisa é certa: depois desse não frontal diante da realidade, nada do que foi será do mesmo do jeito que já foi um dia.
Fizemos uma seleção de dicas a partir de livros que falam sobre a melhor maneira de sustentar uma negação. Aqui estão alguns dos conselhos básicos:
. Ser muito legal pode não ser legal. Experimente ser egoísta de vez em quando.
. Se discordar, discorde logo de cara, no começo da conversa
. O não precisa ter força. Boa alimentação, exercícios vocais e vitalidade auxiliam.
. Se não tiver certeza do seu sim, enrole. Ou peça tempo para pensar.
. Não sorria quando estiver aponto de explodir. Aprenda a fechar a cara.
. Mude de opinião quantas vezes quiser.
. Diga como se sente e não acuse o outro, colocando-o na defensiva.
. Não abra muito espaço para contra-argumentos. Reafirme o seu não.
. A negação precisa ser firme. Mas não precisa ser agressiva
. Imagine sempre que tudo vai dar certo. Costuma funcionar.
Ser legal não é legal
Para os psicoterapeutas americanos Jo Ellen Gryzb e Robin Chandler, autores do livro The Nice Factor – The Art of Saying No (numa tradução livre, “O fator gentileza – A Arte de Dizer Não”, sem edição brasileira), a dificuldade para negar surge porque, no fundo, achamos errado não ser legal. O inesperado livro vai na contracorrente da auto-ajuda, porque não ensina a melhorar a si mesmo, mas a “piorar” e, assim, ser mais verdadeiro. Basicamente, dá o passo-a-passo de como abdicar de ser o boa-praça de plantão, sempre solícito, presente e gentil, para transformá-lo em alguém mais consciente de si mesmo e dos outros, inclusive dos seus abusos. Os dois decidiram escrever o livro quando se encontraram numa segunda-feira de manhã e descobrivida ram que Jo Ellen havia passado uma noite em claro por não saber como expulsar hóspedes indesejáveis de casa e Robin, exausto por bancar o cicerone de parentes que visitavam a família. Antes de expressar o que pensavam, eram tidos como gente muito, muito legal.
Além do risco de não nos deixar mais ser vistos como “legais”, o não também implica outros perigos. É quando as perdas podem ser reais e não apenas imaginárias. “Nessa circunstância, podemos optar por um sim, mas com limites. Posso aceitar algo, mas só por um período curto de tempo, por exemplo. É um sim condicional”, afirma Corinna. Adorei o sim com limites. Tanto que vários dos meus sins daquele momento em diante já vinham com um limite dentro. Acho que fiquei meio chata por um período com meus amigos, mas foi uma bela transição em direção ao não.
Mas também podemos assumir os riscos. “Sabia que podia perder o emprego ao dizer que não ia mais permanecer no trabalho por dez, 12 horas, sem qualquer tipo de hora extra. Não fui imprudente, vi que teria outras oportunidades se tivesse a coragem de mudar de emprego. Disse o não e esperei a demissão, que aconteceu”, diz a comerciária paulista Núncia Alves Ribeiro. Hoje Núncia abriu sua loja de lingerie, está satisfeita, trabalha muito – mas ganha mais. Mesmo que o fim da história não fosse tão feliz, a vida é feita de perdas e ganhos, e geralmente aprendemos mais com as perdas. Elas têm lá suas vantagens.
Mas onde buscar a força necessária para esse não puro e simples, que não teme riscos?
Essa é uma outra etapa.
Além do risco de não nos deixar mais ser vistos como “legais”, o não também implica outros perigos. É quando as perdas podem ser reais e não apenas imaginárias. “Nessa circunstância, podemos optar por um sim, mas com limites. Posso aceitar algo, mas só por um período curto de tempo, por exemplo. É um sim condicional”, afirma Corinna. Adorei o sim com limites. Tanto que vários dos meus sins daquele momento em diante já vinham com um limite dentro. Acho que fiquei meio chata por um período com meus amigos, mas foi uma bela transição em direção ao não.
Mas também podemos assumir os riscos. “Sabia que podia perder o emprego ao dizer que não ia mais permanecer no trabalho por dez, 12 horas, sem qualquer tipo de hora extra. Não fui imprudente, vi que teria outras oportunidades se tivesse a coragem de mudar de emprego. Disse o não e esperei a demissão, que aconteceu”, diz a comerciária paulista Núncia Alves Ribeiro. Hoje Núncia abriu sua loja de lingerie, está satisfeita, trabalha muito – mas ganha mais. Mesmo que o fim da história não fosse tão feliz, a vida é feita de perdas e ganhos, e geralmente aprendemos mais com as perdas. Elas têm lá suas vantagens.
Mas onde buscar a força necessária para esse não puro e simples, que não teme riscos?
Essa é uma outra etapa.
A Arte de dizer não.
O grande medo [continuação da matéria abaixo]
Todo mundo tem medo de dizer não. Mas algumas pessoas têm mais medo que as outras. Principalmente as que apostam as fichas num mundo mais gentil, em formas mais conciliadoras e pacíficas no caso de disputas. Para essas pessoas, o não parece conter uma agressividade intolerável, uma palavra que aponta para um caminho sem volta em direção ao confronto. No geral, elas têm pouca habilidade para respostas rápidas ou facilidade em sustentar posições contra o fogo cerrado de um inimigo mais dinâmico. Então, para elas fica mais fácil morrer por dentro e dizer sim.
Mas por que será que temos tanto medo do conflito que pode ser causado pelo não? A psicóloga paulista Corinna Shabbel fez mestrado e doutorado para responder a essa pergunta. Sua especialidade é ser mediadora de conflitos diante da diferença de opiniões. No fundo, seu trabalho é administrar com razoável sucesso o não de cada um. Dá cursos e palestras sobre o assunto e instrumentaliza pessoas físicas e funcionários de empresas para enfrentar e superar suas dificuldades.
E a primeira declaração de Corinna é preciosa: quase todas as pessoas que estão prestes a dizer não fantasiam uma série de reações negativas por parte do outro. Isto é, a pessoa teme que ele fique bravo, agressivo ou, então, magoado, triste e ofendido. “Esse olhar negativo sobre as conseqüências do não tira a força e o peso da recusa. Esses fantasmas geralmente não passam da mais pura imaginação. Se a gente diz um não limpo, coerente com nossos sentimentos, e o dizemos com clareza, é bem provável que o outro acate sem conflitos ou ofensas”, diz. A psicóloga aconselha, portanto, a refletir bastante sobre nossos fantasmas e fantasias, conhecê-los de perto e tentar identificar quando eles estão se aproximando para turvar a realidade.
Pois o medo da rejeição é crucial e está sempre a nos rondar, como um fantasma. Claro, imaginamos perder o outro por causa de uma negação. “Isso acontece porque não conseguimos fazer as pazes com o não, fortalecê-lo, saber que ele é necessário na vida e que sem ele não se pode viver. Para nós, ele não é natural – por isso o medo superdimensionado do efeito que ele pode causar no outro”, diz Corinna Shabbel.
O fantasma da gerente administrativa Irene Matsunaga era o peso ancestral de toda uma cultura, a japonesa, que dá especial ênfase ao obedecer sem questionar. “Meus pais sempre me ensinaram a dizer sim. Como um cachorrinho, ganhava uma prêmio toda vez que acontecia isso: um passeio, um docinho, um agrado.” Irene era cada vez mais amada e aprovada em face de sua aceitação e submissão. “Quando comecei a trabalhar, vi que tinha medo de perder a aprovação dos outros diante do meu não. E no ambiente profissional você precisa se impor, dar limites. A educação que tive ainda me acompanha, mas fui aprendendo que nem sempre a negação inclui uma total desaprovação por parte do outro, um rompimento.” Viu que as pessoas podem não gostar muito de ouvir uma negação, mas que depois aceitam – e tudo bem. Principalmente, é claro, se ela tiver razão.
[Continua...]
Todo mundo tem medo de dizer não. Mas algumas pessoas têm mais medo que as outras. Principalmente as que apostam as fichas num mundo mais gentil, em formas mais conciliadoras e pacíficas no caso de disputas. Para essas pessoas, o não parece conter uma agressividade intolerável, uma palavra que aponta para um caminho sem volta em direção ao confronto. No geral, elas têm pouca habilidade para respostas rápidas ou facilidade em sustentar posições contra o fogo cerrado de um inimigo mais dinâmico. Então, para elas fica mais fácil morrer por dentro e dizer sim.
Mas por que será que temos tanto medo do conflito que pode ser causado pelo não? A psicóloga paulista Corinna Shabbel fez mestrado e doutorado para responder a essa pergunta. Sua especialidade é ser mediadora de conflitos diante da diferença de opiniões. No fundo, seu trabalho é administrar com razoável sucesso o não de cada um. Dá cursos e palestras sobre o assunto e instrumentaliza pessoas físicas e funcionários de empresas para enfrentar e superar suas dificuldades.
E a primeira declaração de Corinna é preciosa: quase todas as pessoas que estão prestes a dizer não fantasiam uma série de reações negativas por parte do outro. Isto é, a pessoa teme que ele fique bravo, agressivo ou, então, magoado, triste e ofendido. “Esse olhar negativo sobre as conseqüências do não tira a força e o peso da recusa. Esses fantasmas geralmente não passam da mais pura imaginação. Se a gente diz um não limpo, coerente com nossos sentimentos, e o dizemos com clareza, é bem provável que o outro acate sem conflitos ou ofensas”, diz. A psicóloga aconselha, portanto, a refletir bastante sobre nossos fantasmas e fantasias, conhecê-los de perto e tentar identificar quando eles estão se aproximando para turvar a realidade.
Pois o medo da rejeição é crucial e está sempre a nos rondar, como um fantasma. Claro, imaginamos perder o outro por causa de uma negação. “Isso acontece porque não conseguimos fazer as pazes com o não, fortalecê-lo, saber que ele é necessário na vida e que sem ele não se pode viver. Para nós, ele não é natural – por isso o medo superdimensionado do efeito que ele pode causar no outro”, diz Corinna Shabbel.
O fantasma da gerente administrativa Irene Matsunaga era o peso ancestral de toda uma cultura, a japonesa, que dá especial ênfase ao obedecer sem questionar. “Meus pais sempre me ensinaram a dizer sim. Como um cachorrinho, ganhava uma prêmio toda vez que acontecia isso: um passeio, um docinho, um agrado.” Irene era cada vez mais amada e aprovada em face de sua aceitação e submissão. “Quando comecei a trabalhar, vi que tinha medo de perder a aprovação dos outros diante do meu não. E no ambiente profissional você precisa se impor, dar limites. A educação que tive ainda me acompanha, mas fui aprendendo que nem sempre a negação inclui uma total desaprovação por parte do outro, um rompimento.” Viu que as pessoas podem não gostar muito de ouvir uma negação, mas que depois aceitam – e tudo bem. Principalmente, é claro, se ela tiver razão.
[Continua...]
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