sábado, 7 de outubro de 2017

Desabafo

Sabe, às vezes me bate uma tristezas, o que atualmente chamam de "bads".
Sabe aquele sentimento de pertencimento a um grupo? Tenho. Mas não faço parte de nenhum.
Não tenho contato com os amigos de infância e, os que busquei nunca me retornaram.
Não tive muitos amigos fieis na adolescência e menos ainda sobraram que de fato de procuram.
Amigos para desabafar? São menos ainda.

Minha autocobrança é ferrenha, severa, mordaz.
E ainda acho que espere e cobre demais de mim.

Depois da depressão me vi cercada por limitações e me frustra demais não ser mais quem eu era ou como eu era: lembrava de tudo com riqueza de detalhes. Poucas coisas me abatiam. Agora as coisas parecem em atingir como apunhaladas.

Estou impaciente, irritada.
Sequer consigo chorar, expressar o que sinto.
Escrever é meu escape. Mas vivo sob a censura de familiares, colegas de trabalho, superiores.
É como se fosse errado expressar minhas fraquezas, franquezas, dores e vomitar aquilo que me aflige e agonia.

É muito difícil ser, se sentir e viver só.
Odeio olhar para a grama do vizinho e invejá-la: invejar quem tem boa memória, os amigos hoje casados (mesmo os mal casados), o fato de já terem filhos e eu, aqui, chorando em cima do teclado do PC tentando rejeitar em mim qualquer manifestação de coitadismo e sufocar a tristeza que dá um nó verdadeiro na garganta!

Eu queria, de verdade, me sentir feliz de novo!
Eu não queria sentir as tristezas que sinto!
Eu queria não sentir falta de ninguém, me sentir feliz sozinha!

Não queria sentir falta de um pai que NUNCA procura saber de mim, mas quanto eu usei no cartão dele.
Não queria sentir falta de um irmão que mal me procura, a não ser quando quer dinheiro.
Eu queria poder me bastar.
Mas eu não sou sou assim!!!!!
Eu sou gente!
E eu gosto de gente!!!
Sinto falta de amigos, de gente na minha casa, de sair com eles, falarmos as mesmas coisas, rirmos juntos, dormirmos nas casas uns dos outros sem frescuras!
Mas ao mesmo tempo só tenho vontade de me isolar, chorar, lamentar!
Cara, como isso é contraditório!
Fico puta comiga mesma por conta disso!
Sinto falta de ser mais sociável, alegre, extrovertida.
Odeio esse eu introspectivo que mais me lembra a adolescente fechada que um dia fui!
Odeio estar como estou.
Odeio ser aquela que só enxergam de mim seu pior: a metida, a arrogante, como tantas vezes ouvi e quem eu sei que eu não sou.
Odeio ser excluída ou nem sequer incluída para porra nenhuma.
Mas é isso que eu sou!
E dói no meu mais íntimo isso tudo.
Mata a mente, mata a alma, mata o corpo ser e sentir-se assim.
Mata não poder e não ter a quem gritar isso.
Tenho Deus. Mas eu não consigo vê-L, ouví-Lo ou sentí-L. Isso só aumenta meu sentimento de solidão.
Odeio esse nó na garganta.
Essa solidão e o que sinto neste momento.
E quero mudanças na minha vida.
Mudanças que me façam ver dias melhores, uma pessoa melhor em mim