Meu desabafar é escrito.
A letra, as teclas, o lápis e a pena me são melhores companheiros nas meditações sobre vida que a oralidade, o falar.
Há tempos que nesse falar me vejo mergulhada no espírito dos bucolicos poetas do Romantismo: Em busca do amor, imersa na melancolia, mas mostrando ao mundo uma incrível vontade de continuar a viver.
É paradoxal e contraditório, eu sei!
Mas a busca, ou ainda a espera por alguém que me desperte a saudade, a alegria, a ansiedade, o desejo do encontro diário andam me parecendo tão distante quanto praticamente impossível.
Há manhãs e não poucas noites nas quais o sorver de lágrimas quentes pela face são tão companheiros quanto a desesperança.
Embora está tristeza seja parceira constante, há também dentro de mim, numa batalha ferrenha por existir, uma pequenina esperança.
Uma esperança de que alguém, em algum momento, vai me amar e me fazer sentir de novo as alegrias de sentir tal amor!
Alguém que vai me fazer superar a dor, meus preconceitos, me ensinar a quebrar paradigmas.
Nem toda a métrica dos poetas foi e penso que nem será capaz de mensurar o quanto a existência solitária é dolorida.
Nem todos os conselhos de "seja feliz sozinha" são capazes de curar de fato esse vazio!
Não fomos feitos para a solidão!
Afinal, somos ser s sociais!
O isolamento mata aos poucos, desanima, às vezes paralisa.
Mas a gente não pode se deixar estagnar. Precisamos seguir em frente e crescer, amadurecer.
E é em meio a dor e aí sofrimento que isso acontece.
Então abraço a minha dor e tento me acostumar a ela, até que o dia da alegria finalmente venha ao meu encontro.
Até lá, ainda me vestirei por dentro de dor e, por fora, de acolhimento e riso. De serviço e escuta a dor dos outros.