quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Sobre saudade...

Há poucos dias ouvi, ou melhor, recebi mensagens de pessoas que diziam estar com saudades de mim.
Estranhei.
E por quê?
Porque uma não me procurava há 1 ano e 8 meses e outra, há 2 meses.
Só me procuraram porque tinham interesses.

Não resisti e as questionei sobre o que elas entendiam por... Saudade.
A resposta foram risos.
Um, cínico. Outro, como quem põe no outro a culpa da sua inércia.

Fato é que quando questionei também passei a me questionar.

Passo dias vivendo o tumulto dos dias de trabalho que normalmente não reflito sobre coisas relevantes e boas da vida.
Encontrei pela rede a seguinte definição:

Sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas.

Pois bem...

Algumas coisas me fizeram pensar, refletir, ponderar, considerar até que eu pudesse escrever minhas conjecturas.

Saudade, as que sinto, são emoções inicialmente calmas, notívagas.
São de pessoas, momentos, situações, canções que vieram, mas já se foram.

É a falta daquele colo, daquele toque, daquela palavra.
De um riso, de um conselho, de uma bronca.

Uns, já partiram para os braços da eternidade.
Outros, viajaram, mudaram, partiram.
Eu viajei.
Eu parti.
Eu mudei.

Às vezes sinto saudade até de mim!

Sinto saudade de um eu que ficou lá atrás.

Mas o que sinto não me prende mais ao passado!

Sinto novas vontades!
Vontade de aprender mais sobre mim, me conhecer, entender até onde posso e consigo chegar.
A hora de ir, de parar, de desacelerar, de estacionar, de recomeçar.

Sinto vontade de avançar na minha própria existência e me recriar a cada dia!

Sou fragmento.
Sou parte.
Sou constantemente descoberta!

Sou a nova música que ouço.
O novo curso que faço.
Sou a pausa que consigo fazer para escrever este texto.

Sou a mulher que se lança aos escritos porque ama se expressar.

Amo expressar-me deliciosamente pelo que externo, porque a palavra é vida, é etérea, é dinâmica!
É permanente, mas mutacional.

A palavra é como nós: simples e complexa.

E eu também sentia saudade de "palavrar".
De ouvir também músicas com sentimento no escuro e no silêncio da casa, ao som do barulhento ventilador, no escuro quebrado apenas pela tela e luminária do computador e pelo som de Liniker, que acabo de conhecer e que me embala, emociona e acalenta enquanto teclo.

Fazia tempo que não fazia isso!

Eu senti... saudade.