Amo começar um texto, uma pesquisa, conhecer algo a fundo iniciando a pesquisa no bom, velho e esclarecedor dicionário.
Pois é... O conceito que eu venho observando a minha volta na sociedade atual reside nessa palavrinha aí no título: melindre.
Melindre é um pudor, um escrúpulo.
Se melindrar é se ofender com facilidade, ser sentir mortalmente ferido por algo, alguém, uma palavra mal colocada, algo que vá contra nossos princípios, nossos conceitos, nosso amor-próprio.
Passada a campanha político-partidaria, alguns aninhos de convivência com o mais diversificado grupo de pessoas me vejo afirmando que vivemos em uma sociedade de gente... MELINDROSA.
Tudo com o qual as pessoas não concordam - mesmo sendo injusto, desonesto, sujo, mesquinho, babaca, sem base, fruto de fofocas, de achismos, sem ser pautado numa investigação sobre a verdade - vira motivo para ofensa.
Observem a internet!
Tudo que se fala hoje em dia é motivo para mimimi (reclamações chatas pra caraca sobre coisas muito pequenas)!
Somos hoje uma sociedade que não aceita OUVIR BONS CONSELHOS, isso porque nós consideramos auto suficientes pra c******!
Não aceitamos ouvir uma repreensão! Talvez porque sejamos perfeito demais, não é?
Tomamos dores por pessoas que a gente nem sabe que não vale o sacrifício!
Mas é porque somos oniscientes demais!!!
Uma brincadeira...siiiim... Uma brincadeira ofende... Porque somos SANTOS demais; POLITICAMENTE CORRETOS demais; PERFEITOS demais!
Poucas são as pessoas que
Sabem ouvir;
Sabem receber uma repreensão;
Sabem receber uma orientação;
Param para refletir sobre os conselhos dados;
Sabem brincar sem ofender;
Saber receber uma brincadeira;
Saber se perceber;
Saber reconhecer quando é hora de rever nossa trajetória e mudar os percursos.
Tem-nos faltado savoir-faire, ou seja, regras de bem viver.
Ouso dizer que nos falta aqui, nas redes sociais, em casa, nos ambientes de trabalho, nas relações humanas.
Ao afirmar isso tudo, entendam que de tudo o que vi fiz extrema questão de observar também em mim.
Afinal, tenho evitado emitir juízos de valor sobre o outro.
Mas tenho observado, analisado e construído minhas próprias conjecturas e, nelas, realizo uma introspecção profunda para ver se o que eu vejo no outro não é senão uma imagem refletida de mim mesma; uma projeção do que na verdade eu possa estar sendo.
Isso me tem permitido o prazer de tentar coexistir com comedimento.
Ser comedida faz parte de quem quero ser.
Um hábito nada fácil, nunca constante, sempre necessário.
Não posso aqui esperar que os demais sejam como eu, porque certamente terei tais expectativas frustradas.
O que posso afirmar é que lidar com gente melindrosa é chato, cansativo, aborrecedor, desgastante!
É como lidar com crianças mimadas, chatas, a quem faltaram na infância uns nãos, limites, uns castigos, umas boas palmadas para que entendam que o mundo não gira ao redor delas e nada será do jeito que elas querem.
Lidar com adultos infantilizados em suas vontades é um pé no saco!
Lidar com os seres humanos, em sua diversidade é um desafio imensurável.
Mais do que nunca, nesse contexto, nos é necessário mobilizar nossas competências sócio-emocionais de maneira a preservarmos nossa saúde mental.
Nós é imprescindível trabalharmos para preservarmos nossa saúde emocional, tomando as posturas indicadas pela ética e pela moral.
Façamos o que é certo, ainda que toda a sociedade esteja no caminho contrário!
Nadar contra a maré nem sempre é fácil, mas ainda é melhor do que nos deixarmos levar como dejetos na correnteza.
Não compremos para nós ofensas que muitas vezes não existem! Coisas que não nos dizem respeito, que não foram conosco!
Tem coisas que não são nossas!
Em muitas circunstâncias, quando eu compro a ofensa de algumas pessoas eu estou impedindo o outro de tomar uma sacudida da vida e aprender com as próprias ações! Estou mimando meu semelhante!
Não.
Não tome para si algo que não te pertence.
Higienize-se!
Limpe sua mente de que tudo que não é seu.
Renove-se!
Reinvente-se.
E não seja uma mulher nem um homem de melindres.
Se fores, saiba de antemão que és apenas mais um maldito chato que muita gente irá tolerar enquanto puder!
Dispa-se da infância mental e cresça, pois, embora seja muitas vezes difícil e doloroso, ainda é o melhor a fazer.
Até o próximo texto.